Revendo textos salvos no meu computador, encontrei os seguintes trechos:
Minha presença transparece minha ausência.
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Com a toalha de lágrimas secas, sequei meu corpo exausto.
Com a harpa que presenteou-me, toquei o mais funesto silêncio.
Não por te odiar, mas por me acostumar.
Como felino que abandona sua cria, desvio a maior quantidade de olhares teus que posso.
Mas isso por que quero o meu bem também.
Por cima de você, soltei as minhas mais sinceras palavras
Pra te testar, pra me provar
que você não combinava comigo.
Seguindo tua trilha e vivendo sua amargura enclausurada dentro de si,
ainda acredita que vem de fora?
Vem para mim, que não quero te fazer mal.
Vem, você precisa de um afago, e eu preciso lhe abraçar.
Como a gula de uma garota frustrada,
Como a fúria da rebeldia jovem,
Como a mansão onde mora o velho magnata,
Exagero, demais.
ao gostar de você.
Acrobata da dor
Gargalha, ri, num riso de tormenta,
Como um palhaço, que desengonçado,
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
De uma ironia e de uma dor violenta.
Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
Agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta...
Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
Nessas macabras piruetas d'aço...
E embora caias sobre o chão, fremente,
Afogado em teu sangue estuoso e quente
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.
Cruz e Souza

[Versão com cortes]
E se cuspe no meu corpo sujo,lacera meus lábios
ressecados e anestesiados
Te peço que esqueça meu corpo, e se apegue somente à minha alma.
Não toque mais em mim.. flameja de dor.
Os corpos em meu corpo friccionam meu caráter, deixam-no vulnerável e incapaz.
No meu sangue, incrustado em minhas veias. E é completamente visível o terror que anuvia meus olhos, o tremor em meus dedos, a mancha de amargor e ansiedade em minha fisionomia.
Espremo esta fronte que sangra, e retenho estas lágrimas duras de remorso e indiferença.
Lançando ao mundo toda a tristeza, para que morra, ali, e que se feche ali.
São palavras mal colocadas e pobres, olhares que não se cruzam, e lábios que involuntariamente tremem.

Deixa morrer, é seu tempo.

Oi, meu nome é Ester...
(vozes de fundo) OIII ESTERRR,
Faz um mês que venho fumando passivamente.
Mas estou em abstinência há algumas horas.
Não iniciei a faculdade como todos os meus amigos de minha idade.
Desde agosto do ano passado que não compro calcinhas novas.
Não contribuo para pagar as contas de casa.
Faço cocô mais de uma vez ao dia.
Não sei nomes de bandas e músicas, e quando sei, não canto na frente dos outros.
Moro em uma casa com tijolos sem reboque.
E ainda tenho uma piscininha de plástico.
Nunca comprei um celular.
Não sou intensamente alegre como os outros jovens.

"Não vou mais fingir que sou capaz
Nem roubar seu tempo, mais.
E se não adiantar,
sei que o que o tempo resolve em anos,
a aguardente resolve em horas.
E se suas palavras permanecerem, insistentemente,
nos braços de outro homem ouvirei sons que não são seus, e enfim,
te esquecerei."
Deu vontade.
Sem cadeado ou senha
Repousa durante gerações
que não a vêem.
Quem enxerga sabe
sabe que através do mofo,
através das larvas,
alguém soletra uma história infindável,
para uma criança que já morreu.
Como as lembranças falsas que tenho daquela época,
sei que esse alguém já admitiu que está sozinho,
e que já está velho.
Havia um mistério sombrio por trás daquela porta,
que não ousávamos decifrar,
que na verdade sequer existia.
Era uma simples porta.
Que guardava ao relento restos de escombros,
o capim que cresceu demais,
e insetos que não incomodavam.
E hoje passo por aquela mesma porta.
Mas ainda vejo o mistério impenetrável.
O tempo passou, traidor.
A porta que me faz retornar ao tempo.
Quando eu ainda não sabia contá-lo. 
Gosto de explicar. Heheh.. Essa tal porta é da época do prézinho. Sempre foi um mistério, e nunca descobrimos o que tem do outro lado. Fui até lá pra desenhar ela mais ou menos, que é esse desenho aih em cima.
Nem sequer se amam
Nem sequer admitem quando estão juntos.
Eles querem matar um ao outro
mas não sabem como
não conseguem tirar o olho um do outro.
Eles temem morrer,
antes de segurar o outro de perto, afagá-lo.
Querem sentir cada minuto.
Se unem e não querem mais se separar.
Mas querem se matar.
Eles amam a si mesmos.
Mas não conseguem acreditar que são um só.
Suicídio.
Que desperdício.
Têm o tempo que quiserem
Eles podem ver a cor do tempo
Eles podem ouvir o pôr do sol.
Eles não amam um ao outro.
Matar o outro seria a solução.
Mas que perda...
Que dia é hoje?
Podem sentir o cheiro da voz um do outro.
Podem ver que não se amam, que devem terminar com isso logo.
Mas o tempo passa tão rápido.
Mas eles não aproveitaram ainda.
Relógio infiel. Aurora maldita.
Se escondem do mundo num corredor escuro
Mas sabem que logo nada mais existirá.
Logo já não lembram de nada.
Já não querem que acabe.
Esse desenho foi feito pra alguém, muito tempo atrás...
Estava em frente à televisão, mudando de canal. Parei em um, com a seguinte enquete:
"O brasileiro sabe votar?"
A esmagadora maioria respondia "NÃO".O engraçado era que aquilo era uma votação, e suas respostas eram, no mínimo...
contraditórias?

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